11 de out de 2010

Mulher, mãe e miss imperfeita!

Recebi esse texto por e-mail, de uma amiga maravilhosa, a Jussara, no qual achei perfeito! Queria compartilhá-lo com vocês, leitores do Blog, porque existem coisas que é preciso refletir sempre, sobre a vida, sobre o trabalho, sobre o nosso papel no mundo! Aproveitem!

Miss Imperfeita
(Texto na Revista do Jornal “O Globo”)

Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a “Miss Imperfeita”, muito prazer. A Imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefone sempre para minha mãe, procuro minha amigas, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma Workholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a de não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Inclua agora na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa.: tudo o que desejavam é que você não chorasse muito nas madrugadas e mamasse tudo direitinho.
Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher.
E se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam a nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-se-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado por Philippe Starck e o batom da MAC. Mas se você precisa vender a alma ao Diabo para ter tudo isso, está precisando rever os seus conceitos.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar, e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante.

Escrito por Martha Medeiros – Jornalista e Escritora




Pin It Now!

24 comentários:

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

muito bom esse texto. hj em dia todos se cobram tantas coisas.
principalmente a mulher, que, além das cobranças normais ainda tem que encarar o desafio de ser mãe, magra, espiritualizada, bonita, inteligente, nada submissa, dona de si, perfeita, sabe tudo, etc etc e etc.
é uma opressão sem fim.

bom domingo

Giuliana: disse...

Texto maravilhoso, vou procurar ler tudo o que tiver relacionado com Martha Medeiros, porque já vi vários textos dela pelos blogs, e são espetaculares.

Concordo com o Alexandre!

Não sei se antigamente, no tempo da minha vó era mais fácil ser mulher, só sei que atualmente, no nosso tempo, não é nada simples. São tantas expectativas sobre nós, e a maioria delas somos nós mesmas que criamos. Não tem como sermos perfeitas, mas tentar dar o melhor de nós é que vale.

Grande beijo.

Clau Finotti disse...

Oi Bia!
Achei esse texto a cara do meu momento hoje. Abri mão de um sonho que idealizei e tentei anos obcecadamente, minha transferência pra Goiania, onde temos nossa casa, e optei por uma vida menos corrida, sem viagens, 6km do trabalho, artesanato, livros, novelas, e blablablás pela net...rs... Nunca me senti tão leve.

Pensando bem, invejei de vc e da Giu: acho que vou fazer um post com a Marthinha Medeiros hoje tbém, depois que voltar da apuração (vou trabalhar nela).

Bacio.

Bjos

Patricia Daltro disse...

Amo esse texto. Vivi ele quase em toda sua plenitude. Hoje aprendi a desacelerar, a entender que para se ter uma qualidade de vida é preciso abrir mão de certas coisas aparentemente "imprescindíveis".

Luciana Kotaka disse...

Lindo amiga, aliás, ela sempre muito sábia. Me sinto parte desse mundo feminino e exigente. reflexão...Bjks

Roberta M. disse...

Já tinha lido, aliás, me encaixo perfeitamente e ainda acrescento o meu título de Mulher Banana!!! Adorei!! Beijocas

Dona Amélia disse...

Há algumas mulheres que escreviam, escrevem e que parecem falar com a minha voz, de tanto que me descrevem e falam sobre e do que sinto e penso. E uma delas é a Martha, outra delas é você, Bia!
E esse texto não foge à regra de tudo o que penso.

Mega xêro
Paty

Carmen Mesquita disse...

Belo texto.

Puxa, porque para a mulher de hoje 24 horas por dia é pouco?

É extremamente sacrificante esta rotina de 3 turnos(trabalho, casa e filhos).

Algo será imperfeito...

Valeu Bia pelo post.

bjkas

Andréa Fenerich disse...

Oi Bia, ótimo texto, realmente a gente tem que saber viver, saber falar não ou mesmo aprender aceitar as coisas de maneira mais "suave". Apesar da mulher estar ganhando cada vez mais um espaço maior na sociedade a gnt tem que se valorizar e parar de pensar um pouco no que "os outros vão pensar", acho que só assim conseguiremos viver plenamente...


Deixei um selinho pra vc no meu blog, vc merece! pois tem um blog maravilhoso, depois se puder dê uma passadinha de lá pra ver..
http://recreche.blogspot.com/

bjoss

Elis (Coisas de Lily) disse...

Esse texto me ajudou muito a não me cobrar tanto.
Chuto o balde quando quero e vivo cada dia com a intensidade do momento.
Vale sempre a pena ler, pra dar um gás.
beijos!

Fernanda Reali disse...

Oi, amigaaa! Demorei, mas cheguei. Gosto deste teto, que li na revista do Globo, como faço todas as semanas. Acho que se encaixa superbem nas exigências da atualidade.

bjs

Tays Rocha disse...

Bia querida, obrigada pela visita no blog e pelo carinho comigo e com a minha Mariana, estou tentando fazer as coisas engrenarem por aqui, por isso ando meio sumida, um tanto atrapalhada, mas devagar tudo vai. Eu acho esse texto maravilhoso e mais que verdadeiro, adoro Martha Medeiros, sinto falta de vir aqui e te ler, mas agora estou assim, em doses homeopáticas. Beijos amiga e boa semana.

Ioly a dona do verdades... disse...

Esse texto é muito legal, precisamos parar e fazer essas reflexões vez por outra.
E olha, para mãe, esse negócio de culpa zero é bem difícil, mas possível, com algum treino e análises como essas... rs
bjk

Nilce disse...

Também recebi este texto, Bia.
É espetacular mesmo. Precisamos dar uma parada. Ser tudo ao mesmo tempo está acabando conosco.

Obrigada pelo carinho

Bjs no coração!

Nilce

Lilian Britto disse...

Martha Medeiros, sempre ela! Adoro o jeito que ela tem de dizer as coisas mais simples, mas que são tão importantes!
Adorei amiga!
Beijão, lidna semana =*

Andréa Fenerich disse...

Oi Bia, que bom que gostou do selinho, já vi ele aí no cantinho, adorei!! =D
Ontem fui diminuir a imagem que acessa meu twitter e esqueci de colocar o link de novo nela.
Obrigada por me avisar ;)
o link é http://twitter.com/lady_drean

bjoss

calma que estou com pressa disse...

ah martha medeiros -esta mulher fala tudo, que está aqui trancado - realmente temos aprender a dizer não , e sem culpas, e eu prefiro uma pousada rústica, claro que com um bom rímel e um batom rsrs, mas vender a alma ao diabo e ser a que veste prada - nunca foi meu estilo -
bjs

Pelos caminhos da vida. disse...

Esse texto me ensinou a fazer umas mudanças...

Obrigada Bia pela sua companhia.

beijooo.

Mãe 24hs disse...

Muito bacana o texto! Temos que aprender a viver sem nos cobrar tanto. Bjos!

Fernanda Reali disse...

Vim comer bolinho ontem e não tinha. Vim comer bolinho hoje e não tem. Comoassim, biaaal?

Feliz Aniversário, amadinha!
Te desejo no mínimo mais 40 anos pela frente, alegrando todo mundo à tua volta, como sempre fazes.

beijooo

Patricia Daltro disse...

Bem vinda de volta, frô! De nome e blog novo pra entrar nos enta com tudo que tem direito! rs

Clau Finotti disse...

Oi Bia!
Que bom que está de casa nova! Já estou aqui para compartilhar as loucuras do dia a dia.

Bjããão.

Clau

Elaine Gaspareto disse...

Querida,
Daí que me aparece uma certa Lola acompanhando o blog, e eu não sei quem é...
Vou à caça, e descubro que é voc?e!
Problemas, querida?
De qualquer modo, seja benvinda e seja lá com que nome for...

Beijossss

Lilah disse...

Bia (vou levar tempo pra me costumar com Lola)

Bem vinda de volta e que texto. As vezes cansa ser mulher né? Fico pensando na tal revolução feminista e perguntando se nos tornamos mais felizes ou só mais estressadas!